Última atualização: 05/03/2020, Dr. Miguel B. Royo Salvador, número de registro médico: 10389. Neurocirurgião e Neurologista.
Diagnóstico
As hérnias ou protrusões de disco costumam surgir com mais frequência na parte baixa ou lombar da coluna, estando entre as causas mais comuns da dor lombar. A dor ciática, a lombo ciática ou a lombociatalgia se devem frequentemente à compressão de uma raiz nervosa por uma hérnia de disco lombar. O diagnóstico diferencial que precisa ser excluído porque provoca uma sintomatologia parecida é o da Síndrome da faceta articular lombar .
Denominada ciática ou dor ciática, é a sensação dolorosa que coincide com a trajetória do nervo ciático, da região lombar até a face posterior do membro inferior (daí lombo ciática ou lombociatalgia). Se a dor se irradia pela face anterior do membro inferior, coincidindo com a trajetória do nervo crural, a dor se chama cruralgia. Esta diferenciação é importante, já que indica quais raízes nervosas estão sendo afetadas.
A avaliação física também é muito importante, pois pode orientar a respeito de quais das raízes nervosas e qual região vertebral estão sendo afetadas, assim como indicar a magnitude de uma possível lesão nervosa, o que condicionaria uma indicação cirúrgica.
Tratamento
– O tratamento inicial, em relação a sintomas decorrentes de uma hérnia ou protrusão de disco lombar, deve ser conservador.
A maioria das lombo-ciáticas melhoram com repouso, além de medidas médicas e fisioterapêuticas, que aliviam as consequências da compressão dos nervos pela protrusão ou a hérnia de disco. A cura é feita pelo próprio organismo, quando este consegue restaurar e consolidar a alteração do disco intervertebral, de tal forma que não exista lesão nervosa ativa nem instabilidade ou sobrecargas vertebrais.
Com um tratamento com anti-inflamatórios, se consegue diminuir a inflamação do nervo comprimido pelo disco intervertebral deformado e, assim, reduzir a dor. Com o tratamento analgésico, diminuímos a dor antes que o anti-inflamatório faça efeito e também durante a atuação do mesmo, já que, por si só, não é suficiente para mitigar a dor. O repouso, por sua vez, tem dois propósitos: diminuir a pressão sobre a raiz nervosa e dar a possibilidade ao organismo de reparar a deformação do disco intervertebral.
– A fisioterapia na lombo-ciática tem vários propósitos:
- Mobilizar a raiz nervosa, para que se acomode, evitando, assim, a compressão da deformação do disco intervertebral e, com isso, proporcionar um alívio na pressão radicular.
- Relaxar, estimular e recompensar uma região castigada pela dor.
- Reforçar a musculatura ao redor das vértebras e, com isso, conseguir um reforço vertebral.
Caso, durante as sessões de fisioterapia, ocorra um aumento da pressão sobre os discos intervertebrais, estas podem agravar o quadro, inclusive com a possibilidade de produzir hérnias ou protrusões em outros discos intervertebrais nos quais já havia uma predisposição para o aparecimento das mesmas. Por esta razão, a fisioterapia deve ser realizada ou ser dirigida por um especialista em coluna vertebral.
Tratamento cirúrgico da hérnia/protrusão de disco lombar
Existem algumas condições claras para a indicação de uma cirurgia para casos de hérnia de disco. Somente se indica o tratamento cirúrgico quando o caso corresponde a, pelo menos, duas delas:
- Se a dor lombo-ciática for tão intensa que não melhora com nenhuma medicação ou se a dor crônica for tão limitante, que não permite ao/à paciente ter uma vida normal.
- Se houver, na avaliação neurológica, um comprometimento nervoso, motor ou sensitivo, especialmente quando este tem um caráter progressivo.
- Se houver alterações ao urinar ou defecar relacionadas a uma possível compressão nervosa.
Quando a indicação cirúrgica é feita devido a dores agudas ou crônicas, esta depende do critério do(a) paciente e do seu grau de invalidez. Quando a indicação cirúrgica se dá devido a um comprometimento neurológico, perda de força e sensibilidade ou alteração dos esfíncteres, o procedimento cirúrgico é realizado o quanto antes, pois, se a perda chega a ser total, a cirurgia liberadora não conseguiria melhora-la.
As possíveis técnicas com resultados comprovados que aplicamos para o tratamento cirúrgico da hérnia de disco lombar têm o propósito de eliminar a compressão da raiz nervosa e, em alguns casos, de manter a altura discal e estabilizar a coluna vertebral. Classificam-se em:
- Técnicas minimamente invasivas, como a nucleotomia percutânea e a quimionucleólise.
- Técnicas microcirúrgicas, que utilizam uma técnica cirúrgica protocolizada para aplica-las com auxílio óptico.
- Laminectomia lombar, que é uma abertura na coluna vertebral com a eliminação da parte posterior de uma vértebra ou lâmina de, pelo menos, uma vértebra lombar.
- Artrodese lombar, na qual se utilizam sistemas de fixação com ou sem enxertos, que unem as vértebras ou partes delas.
Para escolher a técnica mais útil e, ao mesmo tempo, menos agressiva, é necessário especificar muito bem o tipo de compressão da raiz nervosa e o estado da coluna vertebral.
Quando se considera que apenas há compressão radicular, se escolhe a técnica menos agressiva das três primeiras mencionadas, segundo o tamanho, a localização e as características da textura da compressão radicular.
Se existe uma instabilidade vertebral acentuada, se indica a artrodese lombar. O critério de instabilidade pode variar muito, segundo cada cirurgião(a).
A nossa equipe médica costuma fazer a artrodese lombar quando, nas radiografias funcionais laterais em flexão e extensão, detecta a existência de uma clara mobilidade anormal da coluna vertebral, podendo esta ser a responsável pelos sintomas que o(a) paciente padece. O tipo de artrodese varia, segundo o tipo de instabilidade vertebral e também de acordo com os protocolos de cada cirurgião(a).
Resultados
A técnica cirúrgica mais utilizada em casos de hérnias ou de protrusões lombares é a discectomia com abordagem semi-hemi-laminectomia. Os resultados da nossa equipe médica são excelentes na sua maioria, com um índice de complicações mínimo.
Ejemplo
Referências Bibliográficas
- M.B. Royo-Salvador, C. Sabaté, A. Monteiro, A. Gil, R. Ruiz, J. Querolt, R. Morgenstern (1998) Hernia discal lumbar en el ámbito laboral. Resultados de un análisis retrospectivo de una serie de 189 pacientes consecutivos. Rev Neurol. 1998 Oct;27(158):574 ó 6.
- M. B. Royo-Salvador (2014), “Filum System® Bibliography” (PDF).
- M. B. Royo-Salvador (2014), “Filum System® Guía Breve”.

